As ações societárias cresceram 84%. Talvez seja hora de ampliar o conceito de governança.
- BOG Advogados

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Governança costuma ser associada a conselhos, acordos de sócios, regras de sucessão e mecanismos de tomada de decisão. É uma visão correta, mas talvez incompleta. Recentemente, reportagem da EXAME chamou a atenção para o crescimento de 84% das ações de dissolução de sociedade entre 2020 e 2025 e destacou justamente a governança preventiva como um dos principais caminhos para evitar que divergências naturais evoluam para litígios.
A mensagem é importante: empresas que estabelecem regras claras tendem a preservar melhor seus relacionamentos e seu valor econômico. A matéria pode ser lida em: https://exame.com/bussola/conflitos-societarios-crescem-84-e-empresas-familiares-podem-pagar-caro/.
Talvez seja hora de ampliarmos o significado da palavra governança. Antes de existir um acordo de sócios, existe uma conversa. Antes de existir uma cláusula de saída, existe uma negociação. Antes de existir um conselho, existem pessoas tentando construir confiança suficiente para tomar decisões em conjunto. Sob essa perspectiva, governança não é apenas o conjunto de estruturas que organiza a empresa. É também a forma como essas estruturas são construídas.
É nesse ponto que os contratos deixam de ser meros instrumentos de formalização e passam a integrar a própria governança. Mas talvez a maior contribuição não esteja em uma nova técnica de negociação.
O Direito com Alma parte de outra premissa: a qualidade da governança depende, antes de tudo, da qualidade do advogado que conduz sua construção. Um profissional genuinamente curioso investiga antes de concluir. Um advogado humilde reconhece que talvez ainda não compreenda toda a realidade das partes. A abertura permite que o inesperado apareça. A flexibilidade acolhe soluções que não estavam previstas. A coragem torna possível abordar temas difíceis antes que se transformem em conflitos. E o discernimento ajuda a distinguir posições dos interesses verdadeiros.
Essas qualidades não substituem a técnica jurídica. Ao contrário: tornam a técnica mais eficaz.
Sob essa perspectiva, governança deixa de ser apenas um conjunto de regras e passa a ser uma forma de estar em relação. O contrato continua importante, mas também importa como ele foi construído.
Quando a negociação cria espaço para que expectativas, receios, critérios de decisão e responsabilidades sejam compreendidos antes da assinatura, o documento deixa de registrar apenas direitos e deveres. Ele passa a refletir um entendimento compartilhado sobre a própria relação.
Talvez, então, a melhor forma de prevenir conflitos societários não seja apenas investir em governança, mas compreender que o próprio processo de elaboração dos contratos já é um exercício de governança. Afinal, a empresa que aprende a conversar melhor antes de assinar seus documentos costuma precisar recorrer muito menos a eles depois.
É essa a provocação do Direito com Alma: uma advocacia em que a excelência técnica caminha ao lado do desenvolvimento humano, porque a qualidade dos contratos começa pela qualidade das pessoas que os constroem. Se esse tema desperta seu interesse, convido você a conhecer mais reflexões em www.direitocomalma.com.
Sandra Brandão
Advogada e Sócia Fundadora do BOG Advogados



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