O que aprendi trabalhando ao lado de grandes consultores.
- BOG Advogados

- há 1 dia
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Tenho a impressão de que nunca vi tanta gente competente tão cansada.
Empresários pressionados por resultados. Consultores tentando equilibrar estratégia e execução. Advogados cada vez mais cobrados por velocidade, previsibilidade e respostas prontas. Em áreas diferentes, as histórias mudam. A sensação, nem tanto.
É comum ouvirmos que o mercado está mais difícil, que as pessoas mudaram ou que o mundo ficou complexo demais. Tudo isso pode ser verdade. Mas, ao longo da minha trajetória, comecei a desconfiar de que existe uma pergunta ainda mais interessante: será que estamos olhando para essas situações da única forma possível?
Durante muitos anos, também acreditei que determinadas pressões faziam parte do pacote. Que negociar era convencer. Que proteger significava controlar. Que conflito era algo a ser vencido. Até perceber que, muitas vezes, o maior peso não estava no fato em si, mas na interpretação que eu fazia dele. Quando a perspectiva muda, novas possibilidades aparecem. Não porque a realidade deixou de ser complexa, mas porque deixamos de enxergá-la por uma única lente. Essa ideia está no coração do Direito com Alma: ampliar a forma de compreender pessoas, relações e conflitos, sem abrir mão da excelência técnica.
Recentemente, uma consultora com quem tenho a alegria de trabalhar me procurou por causa de um cliente que estava prestes a constituir uma sociedade. Ela poderia simplesmente ter indicado um advogado para preparar os documentos. Mas preferiu me ligar. Disse que havia algo naquela história que a inquietava e que se lembrou de mim justamente porque sabia que eu não começaria pelos documentos, mas pelas pessoas.
O cliente tinha pressa. Um investimento importante dependia daquele passo. Um dos futuros sócios falava com entusiasmo sobre o negócio. A outra permanecia mais reservada, demonstrando insegurança. Não havia discussão. Não existia um problema concreto. Talvez não houvesse problema algum.
Mas a consultora percebeu que ali poderia existir um desalinhamento de expectativas que ainda não tinha encontrado espaço para ser verbalizado. Em vez de tratar aquela percepção como irrelevante, escolheu tratá-la com curiosidade. Foi essa mudança de perspectiva que permitiu conversas importantes antes que elas surgissem, talvez de forma muito mais difícil, no futuro.
Talvez seja por isso que sempre gostei de trabalhar ao lado de consultores. Os melhores que conheci nunca me procuraram porque precisavam apenas de um advogado. Procuraram porque perceberam que, antes da solução jurídica, havia uma conversa que ainda precisava acontecer. Descobri que essa postura tem muito mais a ver com curiosidade do que com certeza.
Depois de mais de trinta anos de advocacia, percebo que as parcerias profissionais que mais marcaram minha caminhada nasceram exatamente daí. Algumas duraram muitos anos. Outras cumpriram seu ciclo. E tudo bem. O que permaneceu foi a admiração por profissionais que entendem que transformar um negócio não é apenas melhorar indicadores. É transformar a qualidade das relações que sustentam esses indicadores.
Hoje acredito que leveza não significa trabalhar menos. Propósito não significa romantizar a profissão. E relacionamento não significa evitar conflitos. Para mim, essas três palavras representam uma escolha diária: olhar para a mesma realidade com lentes mais amplas, mais curiosas e mais humanas.
Curiosamente, é quando isso acontece que os resultados também costumam mudar.
Sandra Brandão
Advogada e Sócia Fundadora do BOG Advogados


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